
No
país do analfabetismo funcional, novo plano de educação negligencia o
mérito, põe a escola contra a família e, em vez de estimular a leitura,
policia as palavras, transformando a língua num instrumento de opressão
ideológica.
Durante
uma audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do
Senado Federal, realizada em 22 de outubro do ano passado, o economista e
professor Cláudio de Moura Castro, ao término de sua palestra, resolveu
apresentar uma proposta ao Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020).
Professor visitante de renomadas universidades estrangeiras, Ph.D. em
Economia pela Vanderbilt University, nos Estados Unidos, e conceituado
pesquisador da educação, com vários livros publicados, Moura Castro, com
um ligeiro sorriso no rosto, anunciou: “Já que todo mundo botou um
negócio no plano, um artiguinho, eu também quero propor um artiguinho no
plano: um bônus para as caboclinhas de Pernambuco e do Ceará
conseguirem se casar com os engenheiros estrangeiros, porque aí eles
ficam [no País], e aumenta o capital humano no Brasil, aumenta a nossa
oferta de engenheiros”.

Cláudio de Moura Castro, economista e pesquisador, denuncia os delírios
do Plano Nacional de Educação. (Foto: Paulo Antunes)
A
declaração provocou um manifesto de repúdio de cerca de 50 entidades de
todo o País, desde a União Nacional dos Estudantes até o Instituto
Paulo Freire, passando pela Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Educação (Anped) e a Campanha Nacional pelo Direito à
Educação, um movimento que congrega cerca de 200 entidades, entre elas o
indefectível Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que,
por mais estranho que pareça, é um de seus coordenadores. Para essas
entidades, a declaração de Moura Castro é “inadmissivelmente machista e
discriminatória” e “manifesta um preconceito regional e racial
inaceitável”, inclusive sugerindo a subjugação das mulheres por
estrangeiros. Elas exigiram uma retratação do professor e prometeram
recorrer até a Dilma Rousseff, como se já vivêssemos numa ditadura
totalitária e a presidente tivesse poder para autorizar ou não o livre
pensamento.
16/04/2014